Poemas de Amor Eterno por Robert Browning e Helen Adams
“O amante de Porfíria”, por Robert Browning, e “Amo o meu amor”, por Helen Adams, partilham um tema comum, o eterno e inevitável amor. Em cada poema, o amor predestinado permanece mesmo após a morte. Estas mortes ocorrem, ambas, quando a mulher é estrangulada com o seu próprio cabelo pelo homem.
“Amo o meu amor” é contado na terceira pessoa e é acerca de uma mulher e de um homem que se apaixonam um pelo outro e se casam. O homem, todavia, tenta escapar ao amor controlador da sua esposa estrangulando-a com o seu próprio cabelo e enterrando-a no solo. O cabelo da mulher ganha vida e vinga-se matando o homem, para que não possa escapar ao amor eterno.
“O amante de Porfíria” é também um poema acerca do amor eterno, mas é contado na primeira pessoa. O amor, neste poema, é entre o narrador e a sua amada, Porfíria. Quando o narrador percebe que Porfíria tem por si uma verdadeira idolatração, mata-a para que possam tornar perpétuo aquele momento e para que o seu amor nunca morra.
Ambos os poemas de amor têm um esquema rítmico definido e utilizam o imaginário para enfatizar o amor eterno entre os amantes. Ambos os poemas têm também a mesma duração e em cada um deles o assassínio ocorre mais ou menos a meio do poema.
Ambos os poemas de amor eterno colocam ênfase no cabelo da mulher. “Amo o meu amor” menciona ‘madeixas douradas’ e “O amante de Porfíria” repete “cabelos loiros” por várias vezes. Isto poderá ser uma forma de arrogância, já que o cabelo da mulher é, muitas vezes, um símbolo do seu orgulho.
Nestes poemas de amor o cabelo da mulher conduz à sua própria morte, ainda que haja mais ênfase no malfadado e atormentado cabelo em “Amo o meu amor”. No seu poema, Helen Adam utiliza imagens repetitivas e coloridas para expressar os sentimentos entre os amantes, assim como na descrição da mulher.
A repetição da expressão ‘amo o meu amor…’ acentua os sentimentos obsessivos e controladores que a mulher nutre pelo seu amado, assim como a repetição da 4ª linha de cada estrofe, que é repetida no fim da mesma estrofe. Também a repetição das mesmas expressões na mesma estrofe dá relevo à acção que está naquele momento a ter lugar.
Por exemplo, na estrofe 5, os termos ‘cavado’, ‘estrangulado’ e ‘enterrado’ são utilizados por duas vezes cada um, dando relevo aos actos de assassínio. Helen Adams usa imagens vistosas para descrever os atributos físicos e o cabelo da mulher.
A mulher penteia repetidamente o seu cabelo com um ‘pente dourado’ e prende o seu marido com ‘elos dourados’. O seu cabelo é descrito como ‘diabólico’ e comparado com uma ‘tempestade deslumbrante’ e um ‘monstro dourado’. Ela é apresentada como uma feiticeira acorrentando o seu amante, mantendo-o preso em ‘elos de ouro’ dos quais não poderá escapar-se, e rindo das suas tentativas de fugir ao seu amor eterno.
O seu cabelo possui uma voz que o atormenta enquanto procura fugir dela. Robert Browning utiliza imagens da natureza para determinar a tonalidade do poema. O poema de amor eterno começa com chuva e ‘vento colérico’, com Porfíria a chegar junto a ele através da tempestade, simbolizando a esperança que o narrador tem em a ver por entre o tempestuoso mundo em seu redor.
As emoções do narrador são reveladas pelas suas acções, estando distante da sua amada enquanto pensa que ela não o ama realmente. Então, quando percebe que ela o ama de facto, estrangula-a para a conservar junto a si, amando-o, eternamente. Ao contrário da mulher em “Amo o meu amor”. Porfíria é aparentemente feliz deste modo e quis até que a sua vida terminasse assim, segundo o narrador. “A tua cabecinha sorridente e rosada/contente do seu desejo derradeiro”, implicando que Porfíria não só está alegre com esta acção como quis que ele a matasse. Isto torna-se mais evidente na linha “O seu mais pequeno desejo será satisfeito”.
Isto cria uma tonalidade de mistério no poema de amor eterno, enquanto o leitor tenta imaginar quais seriam as intenções dos amantes antes do assassinato.
“Amo o meu amor” e “O amante de Porfíria” partilham o mesmo tema mas parece terem diferentes e separadas tonalidades. A tonalidade de “Amo o meu amor” parece ser de desespero e de aprisionamento, revelando a inevitável expressão do amor. “O amante de Porfíria”, porém, apresenta uma tonalidade de misteriosa felicidade e contentamento da inevitável expressão do amor eterno.
Blogs Relacionados:
|

